quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Fim (The End)

Quando quase me afoguei, fui para a natação.. por dez anos.
Quando me perdi na minha cidade, fui percorrer o mundo para me encontrar.
Só há uma forma de viver, é enfrentar os medos e seguir o coração.

Nesta viajem tive de liderar, obedecer, me impor, brincar, olhar em frente, pensar rápido, sentir, me deixar ir..
O que ganhei? O meu inglês está melhor, já não tenho tanto medo do desconhecido, já gosto mais de países tropicais, sei guiar melhor uma mota (quer dizer...), amigos aqui e ali, novos sonhos, sei melhor o que me faz brilhar os olhos e o que me é banal.
O que perdi? Nada de especial (incluindo os jogos do Benfica), ok, a carteira mesmo no final. Algumas mariquices também.
O que mudou em mim? Acho que não foi muito. Acho que me esclareci. Lembro-me que no início, lavava o duche antes de o tomar, e no final, fazia-o no fim.

Do muito que aprendi, que gosto de lavar a loiça, que não gosto de passar a ferro, que quando não estou muito aprumado sinto-me mais eu e mais vivo, da importância de ter alguém para partilhar, que a beleza vem da natureza, que nas aldeias tudo é mais genuíno, que sou faminto por conhecer e quero continuar a alimentar-me, que não preciso de grandes confortos, só de sorrisos :), que faço amigos com facilidade, que não senti falta de filmes, livros ou até tanta música porque estava a viver, que o futebol é das minhas paixões mais puras, que não nos devemos questionar tanto, os sentimentos estão lá por uma razão. É seguir! E que gosto demasiado das minhas qualidades humanas para as desperdiçar com a ocupação que tenha. Quero transmitir coisas boas aos outros. É isso que me faz feliz.

Para quando me perguntarem como foi, digo-vos já a resposta. Leiam o blog e foi a melhor coisa que fiz na vida.

O que vou fazer agora? Talvez um blog entitulado "6 meses a tentar ser feliz em Portugal"

Vamos lá a essas cervejas e histórias :)

Estocolmo / Stockholm
Almviks
Nicolas e/and Viola
O agricultor / The farmer  @Anna

Escola do Professor Dave / Teacher Dave's school @MinYan
As músicas da minha viagem / The songs of my journey

The Beatles - Here Comes The Sun
Silverchair - Straight Lines
Feist - Secret Heart
Dave Matthews Band - Where Are You Going
Foo Fighters - Down In The Park
The Shins - New Slang
PSY - Gangnam Style
Soundgarden - Black Rain
Rufus Wainwright - The Tower Of Learning
Nine Inch Nails - The Line Begins To Blur
Mew - She Came Home For Christmas

Escola de Banguad / Banguad school
Cerimónia da neta de Sarit / Sarit's granddaughter ceremony
Sedentos de selva / Thirsty for jungle  @Lisa
Cambalhotas nas cascatas /
Somersaults in the waterfalls  @Mariana
Palhaçada à noite / Funky nights  @Mariana


Perdido no paraíso / Lost in paradise

When I almost drowned, I went to learn how to swim.. over the last ten years.
When I got lost in my city, I traveled around the world to find myself.
There's only one way to live, is to face our fears and follow our heart.

On this journey I had to lead, to obey, to impose myself, to be funny, to look ahead, to think fast, to feel, to let myself go..
What did I win? My English is better, I'm not so afraid of the unknown, I like tropical countries more, I'm a better motorcycle driver (I mean ...), friends here and there, new dreams, I know better what makes my eyes shine and what is vulgar to me.
What did I loose? Nothing special (including Benfica matches), ok, the wallet right at the end. Some pickiness as well.
What changed in me? I guess it wasn't much. I think I clarified myself. I remember that in the beginning, I was washing the shower before taking it and at the end, after it.

Some of what I learned, I like washing the dishes, I don't like to iron, when I'm not too tidy, I feel more alive and like myself, the importance of having someone to share, that beauty comes from nature, in villages everything is more genuine, I'm hungry for knowledge and I want to keep feeding myself, I don't need great comforts, only smiles :), I make friends easily, I didn't miss movies, books or even so much music because I was living, that football is one of my purest passions, that we shouldn't question ourselves so much, the feelings are there for a reason. Just go! And that I like too much of my human qualities to waste them on the occupation I may have. I want to share good things with others. That's what makes me feel happy.

And when you ask me how was it, I'll give you the following answer. Read the blog and it was the best thing I've ever done.

What will I do now? Maybe a blog titled "6 months trying to be happy in Portugal"

Let's have some beers and stories :)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Adeus querida Tailândia (Goodbye dear Thailand)



Não há muito mais a dizer sobre este país. Acho que todos têm já uma ideia do que significa para mim.
Estes três meses são o maior período que passo num outro país. E acho que tive sorte em escolhê-lho.
Estou muito feliz de ter encontrado um país onde o civismo e o respeito não significam riqueza. E a atitude calorosa está cá. E claro, vou ter saudades de partilhar o tão fácil sorriso com uma senhora, com um senhor, com uma criança ou até com um monge. O sorriso é fácil, a conversa é fácil, a ajuda é fácil, tudo é fácil aqui. Mais puro e espontâneo. A cultura Mai Pen Rai (deixa estar, não te preocupes, não faz mal, tá tudo bem :) )
A Tailândia ganhou um espaço considerável no meu coração e dos muitos projectos e ideias que coleccionei, pelo menos três passam por este país.

Alguns detalhes deliciosos da lingua tailandesa.
Têm cerca de quatrocentas palavras com que incluem a palavra "coração" (หัวใจ)
Generoso - mente larga (ใจกว้าง)
Compaixão - a abilidade de ver o coração (ความเห็นอกเห็นใจ)
Não têm a palavra "precisar" (eles não precisam de nada)

No aeroporto do Dubai, reconheço quatro amigas tailandesas, que na espontânea cavaqueira, esperam para entrar no avião que vai para Lisboa. Sorriu. É um prazer recebê-las.
Até um dia querida Tailândia, que temo não ser breve o suficiente.



There isn't much more to say about this country. I think you all already have an idea of what it means to me.
These three months is the longest period that I spent in some other country. And I think I was lucky to pick it.
I am very happy to have found a country where civic spirit and respect doesn't mean wealth. And the warm attitude is here. Of course, I will miss to share a easy smile with a lady, with a gentleman, with a child or even with a monk. The smile is easy, the talk is easy, the help is easy, everything is easy here. More pure and spontaneous. The culture Mai Pen Rai (let it be, don't worry, never mind, it's okay :) )
Thailand has found a considerable space in my heart and of the many projects and ideas that I collected, at least three, are to be done in this country.

Some delicious details of the Thai language.
They have about four hundred words that include the word "heart" (หัวใจ)
Generous - wide mind (ใจกว้าง)
Compassion - the ability to see the heart (ความ เห็น อก เห็นใจ)
They don't have the word "need" (they don't need anything)

At the airport of Dubai, I recognize four Thai friends, who enjoyably prattle, waiting to get on the plane to Lisbon. I smiled. It's a pleasure to welcome them.
Until one day dear Thailand, that I fear not be soon enough.



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Regresso difícil (Difficult return)

Hoje, podia ter saído do resort sem pagar os mergulhos. Mais ou menos a mesma quantia do reparo das bicicletas. Mas eu não estou contra o mundo, estou com ele.
Esperam-me quase dois dias de andar de transporte em transporte. Três voos, dois barcos, um autocarro e ainda algumas ligações entre estes. Se algo falha, estamos sujeitos a não chegar ao fim e perder algum dinheiro. É sempre uma fonte de stress.

Primeiro imprevisto: O porto de chegada a Ko Samui não é o mesmo de partida. Localizo-me (o grande buda ajuda). Tenho uma hora. Digo que não aos burlões dos taxistas e vou para a estrada esperar que um autocarro (uma furgoneta com uma caixa atrás) passe. O condutor pede-me também um preço alto, que recuso (regatear é uma prática comum na Tailândia) e aguardo pelo próximo. Uma senhora que diz não poder mas me leva à estação, que era no meio do mato! Lá me disseram o valor que esperava ouvir mas levava uma hora e eu já só tinha quarenta e cinco minutos.
- Podemos ir mais depressa por 5x o preço.
- Anh!! 2x.
- 2x devagar.
- 3x?
- 4x?
- 3.5x?
E ele começou a ir-se embora. Cabrão, tinha-me na mão (ainda por cima aqui onde não tinha alternativas) e como eu odeio esta situação.
- 4x? Voltando a parar.
- Sim (mas queria era matá-lo).
Lá foi ele desalmado a puxar pela carrinha e a apitar constantemente com uma condução louca mas competente. Chegámos a tempo e no final até lhe agradeci. (O barato por vezes sai caro).

Segundo imprevisto: Teria de fazer a ligação entre os dois aeroportos de Banguecoque. Tempo não me faltava mas nunca fiando. Pensava que o podia fazer só por comboio. Os meus baht eram poucos (setenta) mas esperava que fossem suficientes.
Na estação de comboios disseram-me que não era possível ir só de comboio. Teria de sairnuma estação e apanhar o metro que têm acima da estrada que chamam comboio do céu. Tudo bem. Nove baht pelo bilhete de comboio. O comboio atrasou-se mas lá entrei. Consideravelmente sujo para o que tinha visto até então. O bilhete dizia que a saída era em Samsen mas tinha a ideia de que o operador me tinha dito para sair noutra estação. Fui com atenção para ver se, à chegada, via alguma ligação para o comboio aéreo. Não vi, mas o senhor à minha frente disse-me:
- Sai aqui não é?
E aquele estímulo desfez a minha hesitação e saí. Percebendo estar no meio do nada, perguntei a um tipo que estava sentado nas escadas do comboio, a beber uma cerveja, se podia apanhar ali, o tal comboio. Ele disse que não e começou com uma explicação embrulhada. O comboio começou a andar e voltei-lhe a perguntar.
- Não.
Então subi de novo para nova carruagem. A explicação dele continuava um pouco confusa. Fui buscar um mapa. Iríamos chegar à última estação em Banguecoque, onde tinha saído para ficar os dias na cidade. O percurso teria de ser feito entre metros e metros aéreos e não estava a querer voltar a levantar dinheiro (devido à taxa de quatro euros). Um taxista abordou-me e pediu-me 2.5x o valor da manhã. Não me pareceu mal. Já chegava de chatices. Não encontro a carteira. Onde está a carteira? Pedi-lhe para me guardar as malas enquanto ia ver o comboio. Só lixo e andava lá um rapaz que também não a tinha visto. Ainda por cima tinha estado em duas carruagens diferentes e naquele momento, pareciam-me todas iguais. O comboio começou a ir-se embora e tive de saltar movimento. Um empregado levou-me a um polícia. o polícia às informações e andava ali de um lado para o outro. Acho que já estavam a ligar para que o comboio regressasse e no meio daquele turbilhão, comecei a pensar por mim. Será este um sinal para que fique? Espera, tenho um cartão de crédito no me necessaire (para estas situações) Sei o código? Sim, acho que é o mesmo que o antigo. A carteira até pode ter ficado na estação ou levada por qualquer um. O que lá tinha: duas notas de Laos que não valem nada, o cartão de cidadão, a carta de condução, o cartão de débito e códigos de transferência (despesas futuras) e o mais importante, um cartão de crédito que tem um limite mas ainda uma quantia considerável. Tenho de o cancelar. Voltei ao mundo exterior e disse-lhes:
- Olhe, a carteira até pode ter ficado na estação de partida.
- É muito difícil. Respondeu ele.
- Sim. Mai Pen Rai (deixa estar). Para seu alívio.
Ainda tinha duas malas para ver se não tinham desaparecido e um avião para me pôr em Portugal. Saco o cartão, para riso do taxista e levanto quinhentos baht para meu alívio. A polícia ainda me veio perguntar se estava bem, se tinha o passaporte.
- Sim, obrigado.
Duzentos dias a viajar e mesmo quando já só faltava chegar ao aeroporto, perco a carteira. Trezentos e cinquenta bath para o taxista (afinal não eram duzentos e cinquenta), cem para usar a internet no aeroporto e cancelar o cartão e cinquenta para um sumo. O aviões dar-me-ião de comer.
Talvez tudo isto sirva para que tenha mais vontade de regressar ao meu país.

---------- O -----------

Today, I could have left the resort without paying the dives. More or less the same amount that I spent on the bike repair. But I'm not against the world, I am with it.
Almost two days of transports are expecting me. Three flights, two boats, a bus and still some connections between them. If something fails, we may not reach the end on time and lose some money. It's always a source of stress.

First unforeseen: The port of arrival in Ko Samui is not the same of departure. I situate myself (the big buddha helped). I have one hour. I say no to the scammer taxi drivers and go to the road waiting for a bus (a van with a open box on the back). The driver asks for a price too high, that I refuse (bargaining is a common practice in Thailand) so I wait for the next one. A lady who says she can't but will take me to the station, which was in the woods! There, they told me the expected value but it would take one hour and I've only had forty-five minutes.
- We can go faster for 5x the price.
- Anh!! 2x.
- 2x slowly.
- 3x?
- 4x?
- 3.5x?
And he began to go away. Motherfucker, He had me on his hand (and even over here, where there was no alternative) and how I hate this situation.
- 4x? Stopping again.
- Yes (but I wanted to kill him).
There he went, heartless, burning the tires and beeping constantly with a crazy but competent driving. We arrived on time and in the end, I even thanked him. (The cheap comes out expensive sometimes).

Second unforeseen: I would have to make the connection between the two airports in Bangkok. I had the time but we never know. I thought it could be done only by train. My baht weren't much (seventy) but I hoped that would be enough.
At the train station I was told that wasn't possible to go just by train. I would have to get off at some station and take the metro that exists above the road, they call it the skytrain. Ok. Nine baht for the train ticket. The train was late but there I got in. Pretty dirty to what I had seen until then. On the ticket the exit station was Samsen but I had the idea that the operator had told me to get off at another station. I went carefully to see if, on arrival, I could notice the connection to the skytrain. I didn't see it, but in front of me some guy told me :
- You get off here, right?
And that stimulus undid my hesitation so I left. Realizing being in the middle of nowhere, I asked a guy who was sitting on the stairs of the train, drinking a beer;
- Can a pick up the skytrain here?
He said no and began with an wrapped explanation. The train began to move and I asked him again.
- No.
Then I got in again to a new carriage. His explanation was still a bit confused. I brought him a map. We would arrive at the last station in Bangkok, where I have got off when I visited the city. The route had to be done among metros and skytrains and I didn't want to withdraw more money (due to the rate of four euros). A taxi driver approached me and asked me 2.5x the value of this morning. It didn't seem bad. I've had enough troubles. I can't find my wallet. Where is the wallet? I asked him to look for my bags while I was going to look in the train. Only trash and there was a boy who also hadn't seen it. Worst, I had been in two different carriages and at that moment, all seemed me the same. The train began to go away so I had to jump out. An employee took me to a police. The policeman to the information point and there I was from one place to another. I think they were already calling for the train to return and in the midst of turmoil, I began to think for myself. Is this a sign to stay in Thailand? Wait, I have a credit card on my necessaire (for these situations) Do I know the code? Yes, I think it's the same as the old one. I may have left the wallet at the station or it was taken by someone. What was there: two Laos notes that are worthless, the id card, driving license, debit card and transfer codes (future costs) and the most important, a credit card that has a limit but is still a considerable amount. I have to cancel it. I went back to the outside world and told them:
- Look, I may have left the wallet at the departure station.
- It's very difficult. He replied.
- Yes, Mai Pen Rai (nevermind). To their relief.
I still had two bags to check if were gone and put myself in a plane to Portugal. I took the card from the middle of the champoos for the taxi driver laugh and withdraw five hundred baht to my relief. The police even came to ask if I was okay, if I had the passport.
- Yes, thank you.
Two hundred days travelling, and right when I just needed to get to the airport, I lose my wallet. Three hundred and fifty bath for the cabbie (after all, weren't two hundred and fifty), one hundred to use the internet at the airport and cancel the card, and fifty for a juice. I would have food in the airplanes.
Maybe all this is to make me willing to return to my country.